Como cada um é resultado das suas experiências, temos a liberdade de escrever as nossas. A mudança no campo político – mas não do poder na cidade – começou em Uberlândia na eleição de 1982, quando concorreram: pelo PDS José Espíndola, José Carneiro, Alceu Santos e o prefeito da época, Virgílio Galassi; pelo PMDB, Renato de Freitas, Aldorando Dias e Zaire Resende, que foi vitorioso. Sua eleição abriu espaço para a esquerda no município.
A nossa leitura é que, nesses últimos 41 anos, a cidade teve gestão de centro-direita e alguns anos de esquerda; mas, o poder, indiferente a ambas as ideologias, foi dominado por uma simbiose entre o grupo de ruralistas e o das imobiliárias – o primeiro com ênfase na política e o segundo, na área econômica.
A cidade se desenvolveu e se tornou uma das melhores do País para se empreender e viver, muito pela sua posição geográfica, levando em conta a construção de Brasília e que tudo o que vem do estado de São Paulo passa por Uberlândia.
Seu desenvolvimento se deve também a mais quatro fatores: empresários que tiveram uma visão estratégica e a tornaram um dos principais polos atacadistas do Brasil; no mesmo nível de importância, a postura política da liderança rural, através do Sindicato Rural, celeiro de bons políticos; e a criação da Universidade Federal de Uberlândia. Com o crescimento, surgiu o quarto fator estratégico, o das imobiliárias, que souberam entender a demanda por imóveis de todos os segmentos.
Porém, no tocante ao poder, a cidade, mesmo com sua grandeza e boas administrações, perdeu espaço político nas áreas estadual e federal, comparando-se ao que tinha no passado, quando teve governador, senador e maior número de deputados. Isso devido, na nossa visão, ao processo cultural que a levou ao atual estágio, voltando-se mais para dentro do que para fora – algo que pode comprometer seu futuro.
Sua população deu origem a este novo percurso. É importante agora refletir sobre o futuro de Uberlândia e cabe às lideranças capitalizarem o sentimento de seus liderados, colocando-o em prática. A eleição de 2024 pode ter um grande significado, maior do que o das anteriores, para pior ou para melhor. Como afirma Rene Dubos, “tendência não é destino”. Dá para mudar o destino das cidades.
Hélio Mendes
Com mais de 1.500 artigos publicados, é consultor de empresas, foi secretário na área de planejamento e meio ambiente da cidade de Uberlândia/MG; é palestrante em cursos de pós-graduação e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG e membro do Instituto SAGRES – Política e Gestão Estratégica Aplicadas, de Brasília.